Na Lata

A irracionalidade dos ignorantes

Faz um tempinho que não escrevo aqui, mas não foi por falta de interesse.

Desde o início eu falei que gostaria de escrever sobre política e nem cheguei a rascunhar sobre o que gostaria de debater.

Bom, chegou o momento. A minha análise de hoje é sobre a irracionalidade de alguns posicionamentos políticos e como isso só reforça a ideia de que a História é a Magistra Vitae.

Como professor de História, meus alunos sempre me perguntam sobre questões atuais: Irã x EUA, Faixa de Gaza, eleições, redução da maioridade penal etc.

O meu primeiro pensamento quando chegam essas dúvidas é: puta que pariu, você não consegue relacionar o que você aprende na aula de História com o presente?

Aí eu me lembro que muitos alunos não tem interesse na escola - o que é normal, até porque já fomos alunos também e sabemos como é - e que (boa) parte da sociedade não olha a escola como um espaço de formação cidadã, mas como um espaço de conhecimento técnico para a futura formação profissional.

Porém, se ninguém olha a escola como um conduíte da cidadania, o que se espera dela então?

Não é atoa que diversos posicionamentos políticos irracionais tem apoiadores em todos lugares e classes sociais.

Se o cabra lembrasse das aulas do 8° ano do Fund. II de Iluminismo e suas Revoluções, ele não estaria defendendo a pena de morte ou a redução da maioridade penal. Se desde o século XVIII já está bem estabelecido os princípios de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, como se tem a ousadia de defender qualquer pauta que seja contraia a isso?

Se o poder de tirar a vida de alguém era restrito aos reis absolutistas, quem dá o direito ao Estado de eliminar a vida de seus cidadãos? Todos têm os seus direitos garantidos e devem ser julgados e condenados propriamente, independentemente se o crime é o mais hediondo possível, pois o Estado é impessoal, não é movido pela bile. Temos o direito de questionar e julgar tudo de acordo com as nossas visões, mas não o de condenar a morte.

Isso porque a minha análise só se conteve com uma "polêmica", o que acho o suficiente para evidenciar que muitos estão (e foram) alheios a sua própria educação, e não conseguem interpretar adequadamente o seu presente, muito menos o passado.

Enfim, por hoje é isso. Espero que tenham gostado.