Desnaturalização da violência
Uns tempos atrás, ao assistir Star Wars: The Clone Wars, a minha companheira trouxe a reflexão sobre a normalização da violência, já que o desenho trás consigo cenas de guerra, crimes de guerra e violência no geral, sendo que, em essência, é um desenho para crianças. E passei a refletir mais sobre o quanto a violência acaba sendo normalizada na mídia.
Não pretendo explorar os méritos ou deméritos do debate se a violência está ou não normalizada. O ponto que quero debater é sobre pautas de segurança e defesa (eu juro que tudo vai se encaixar).
Como formado em História, sempre tive interesse e gosto sobre assuntos militares e sempre me achei comedido e consciente (pelo menos a partir dos meus 15 anos, quando comecei a me tornar um ser minimamente funcional e capaz de ter pensamento-crítico) quando consumia essas mídias (jogos, filmes, YouTube, Wikipédia, HEMA, airsoft, tiro esportivo etc.) pois elas são um grande “rabbit hole” na qual passam a radicalizar cada vez mais os seus consumidores para ideologias autoritárias e reacionárias.
Sempre me distanciei desses nichos, mas conforme eu amadureci e ampliei meus círculos sociais (faculdade, trabalho, novos amigos, novos ambientes), notei que muitos são vidrados em armas, veículos militares, conflitos históricos, debates militares e por aí vai. Eu gosto desses assuntos, mas eu sei que esses assuntos têm um eixo central. Vidas humanas. E é o que os aficionados por assuntos militares parecem esquecer.
Toda a finalidade desses conteúdos e objetos é sobre matar ou a morte de outros seres humanos. Não consigo, por exemplo, achar legal ou positivo analisar tanques de guerra da Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial – porque eram justamente parte da máquina de guerra nazista – e mesmo assim, tem gente que fala dos tanques Panzer e Tiger como se fossem grandes obras da engenheira. Como você consegue apreciar algo que a sua gênese é a destruição?
Ultimamente, tenho ficado cada vez mais interessado nos debates militares do Brasil contemporâneo. Reativação da AVIBRAS, as novas fragatas e submarinos da Marinha, a compra dos caça-tanques Centauro II por parte do Exército etc. O meu interesse se dá por questões políticas. Tenho uma orientação clara e aberta à esquerda. Penso muito sobre soberania nacional e no desenvolvimento nacional. E apesar de achar que esses acontecimentos recentes sejam benéficos ao Brasil, não se pode desassociar que o aumento de gasto militares (que é uma constante global) significa que outras áreas não estão recebendo a devida atenção, como Saúde e Educação.
O Brasil deve rever a sua política nacional de defesa e de fato aumentar a sua capacidade em manter a sua soberania. Mas esse discurso não pode ser cooptado por falsos nacionalistas, por aqueles que querem um Estado militarizado, o punitivismo puro, que todos tenham uma arma para matar. Esses são aqueles que – como os nerds dos “countryballs” – banalizam todo o debate sobre segurança e defesa, que normalizam a violência como meio e fim. Não pensam criticamente sobre suas consequências e querem louvar armas e a morte e, ao final, entregam o país para os estrangeiros.
O texto de hoje foi um grande malabarismo, mas estava precisando dar uma organizadas nessas ideias e queria trazer esse debate.
Enfim, por hoje é isso. Espero que tenham gostado.